Não seja enganado por você mesmo

Postado dia 21/12/2015
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Nesta entrevista, o professor Max Bazerman, especialista em decisões gerenciais da Harvard Business School, garante que a intuição não deve ser a base de decisões de alto risco, por conta dos vieses cognitivos.

A voz do povo é a voz de Deus, diz-se no Brasil, e, nas decisões em que há muito a perder, fala essa voz que devemos ouvir nossa intuição. Ou seja, por tal lógica, antes de entrar em um novo mercado, iniciar um negócio próprio, fazer uma joint venture , contratar um profissional de alto nível, pedir demissão e outras decisões similares cujo resultado é absolutamente incerto, os gestores deveriam escutar sua "voz interior". O próprio Jack Welch, considerado o executivo do século 20, costuma dizer " go with your guts " (vá com sua intuição).

Max Bazerman, professor da Harvard Business School e autor de Processo Decisório (ed. Campus/Elsevier), livro que já está na sexta edição nos Estados Unidos, discorda veementemente. A seguir, ele explica por que a pior hora para alguém confiar em sua intuição é nas decisões de alto risco. As histórias de decisão intuitiva bem-sucedida, segundo ele, são simplesmente as que aparecem no noticiário, porque são a exceção -na metáfora jornalística, são os homens que morderam os cachorros. Na grande maioria, os casos de decisão intuitiva, de cachorros que morderam homens, são histórias de fracasso em função das distorções ou dos vieses cognitivos que condicionam a intuição. E, como são regra, não têm destaque na mídia.

Muitos gestores, especialmente os do tipo empreendedor, apostam em sua intuição. Não faltam, por exemplo, histórias pitorescas de empresas que todos diziam que não decolariam e que decolaram. Como se explica isso?

Sim, as pessoas dão ouvidos a essas histórias porque são elas que aparecem no noticiário, justamente por serem exceção. A grande maioria dos novos negócios fracassa e a razão disso é que não deveriam ter sido lançados, para início de conversa. Nossa intuição nos deixa vulneráveis a distorções como o excesso de confiança.

Você vê isso acontecer o tempo todo na seara dos investimentos. Um investidor individual se deixa levar por seus instintos e compra por impulso ações de uma empresa ou cotas de um fundo sem que estas tenham consistência alguma, quando o que ele deveria ter feito era um estudo, antes de alocar seu patrimônio. É possível uma pessoa ficar 100% livre de distorções cognitivas?

Não. Todos os testes científicos sobre intuição mostraram que as pessoas são profundamente condicionadas por distorções ou vieses cognitivos. Quando você decide confiar em sua intuição, está deixando esses vieses no comando. E isso é a última coisa que você quer quando a decisão é realmente importante. Mas há muito que fazer para reduzir o efeito dessas distorções.

 

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