O Gerente de Projetos e o Mercado...

Postado dia 21/12/2015
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Vamos falar sobre um assunto que anda martelando a cabeça dos gerente de projetos e deu o que falar na comunidade nas últimas semana.

Por vezes eu escuto dentro da empresa, principalmente por parte daquele pessoal “mais velho” e avesso a mudanças que antes de existir essa “história de PMP® e PMI®” já fazíamos o serviço e muito bem feito. E realmente eles tem razão, conseguiam fazer sim, e pode ser verdade que fariam melhor do que faríamos hoje aplicando toda a metodologia que o PMI® divulga. Porém, quando eu tenho a possibilidade de dialogar com um companheiro desses eu sempre faço uso da mesma história, “O mundo globalizado e o mercado super-competitivo que vivemos hoje”.

É sim, esse pra mim, o grande diferencial do porque nossos técnicos conseguiam executar determinada atividade sem o auxílio de uma metodologia e hoje isso se torna cada vez mais difícil para não dizer impossível. Hoje praticamente quadruplicou a quantidade de empresas brasileiras que estão globalizadas e multi-nacionalizadas, nesse momento então todos me perguntam: - “O que isso tem haver com o PMI®?!”. Pois bem, à algumas décadas atrás quando um cliente solicitava um determinado serviço geralmente procurava a pessoa que dominava aquele assunto e essa pessoa poderia cobrar o preço que achar mais interessante e o tempo com a melhor folga possível, e o que acontece hoje é um pouco parecido o cliente ainda solicita o serviço (claro, rs) mas ele praticamente determina o tempo e o custo e cabe a nós ajustar o nosso cronograma e orçamento para adequar as expectativas do cliente, ou seja, o técnico antes informava que usaria X tempo e X orçamento e o cliente se via obrigado a aceitar e ajustar suas finanças e o que acontece hoje é que nós informamos X tempo e X orçamento, e o cliente responde quero que faça em Y tempo com Y de orçamento, pois o meu concorrente na Ingraterra está realizando esse trabalho com Z tempo e Z orçamento, então quero diminuir os meus custos e entregar o serviço antes do me concorrente.

Então é nessa hora que o gerente de projeto precisa montar sua equipe e confiar em sua equipe, montar sua EAP para que equipe saiba exatamente que trabalhos devem entregar, precisa montar uma lista de atividades e posteriormente o cronograma para que sua equipe saiba quando entregar o pacote de trabalho. Deve planejar e criar os planos de gerenciamento (de tempo, riscos, compras e aquisições, RH e comunicações, etc) para que a equipe entenda como projeto irá “funcionar”.  Porque devemos ter isso tudo hoje se e antes não tinha? – É porque, hoje você precisa trabalhar com um orçamentoXtempo limitados e oferecer qualidade (ser melhor do que serviço do concorrente do seu cliente que está realizando na Ingraterra) no que faz, estar atendo a mudanças e riscos ocasionas. Porquê seu cliente pode chegar num belo dia e informar a você que precisa antecipar a entrega (devemos então ter planejado no plano de gerenciamento de tempo aplicar compressão e/ou paralelismo) ou que furacões no norte dos Estados Unidades acabaram com a filial e o orçamento que estava previsto para o seu projeto irá para a reestruturação da filial nos EUA.

É por isso que se faz necessário o uso das metodologias, e é por isso que nem sempre é necessário usar um gerente de projeto com expertise em determinada área, basta que ele seja um Gerente de Projetos de verdade e conhecedor das metodologias. E quando digo metodologias não digo necessariamente a do PMI®, sabemos que existe uma dezena de metodologias no mercado. Mas hoje, no Brasil, nos EUA e boa parte do mundo utiliza o PMI como metodologia padrão e é por isso que se você quiser ter um destaque nesse cenário é necessário ter esta certificação, PMP®.

Quando estudamos a metodologia do PMI a fundo observamos que a entrada da maioria dos processos (Desenvolver a Declaração Preliminar de Escopo e Declaração de Escopo, Desenvolvimento da EAP, Estimativa de custos, Lista de atividades, etc) são: “ativos de processos organizacionais e Fatores Ambientais de Empresa”. Isso significa que todo gerente de projetos ao iniciar sua empreitada necessita entender como a empresa funciona, os sistemas que empresa utilizada, além das documentações, formulários que fazem a burocracia de toda empresa. Por isso que alguns gerentes que chegam em organizações contratados a “peso de ouro” com toda pompa, falham ao cumprir suas obrigações, pois deixam de fazer o arroz com feijão e é esse arroz com feijão que vai dar forças para realizar qualquer atividade dentro da organização.

PMI® através do PMBOK® informa aos gerentes de projetos as diversas estruturas de uma organização (Funcional, Projetizada, Matriz Forte e Matriz Fraca), em todas elas os gerentes de projetos têm sua importância e função, porém a uma organização que trabalha em uma estrutura de Matriz Fraca é a que mais “fere” o gerente de projetos, pois ele pode ter 2 papeis a de facilitador (que não toma decisões) e a de coordenador (que pode tomar algumas decisões). Isso pode explicar o uso de PMP’s® que visto por pessoas externas a organização pode parecer sem sentido, mas na teoria ele tem uma função. Já matriz forte, ou melhor, ainda na Projetizada o Gerente de Projetos tem mais força e toma a maioria das decisões e é essa a visão que temos do Gerente de Projetos clássico, mas esquecemos que existem outras estruturas organizacionais como a Funcional e a de Matriz Fraca.

Sabemos ainda que um projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. (PMBOK®). Um gerente de projeto deve estar ciente que um dia seu projeto tem que acabar e partir para outra, por isso deve estar atento ao mercado e ao que o mercado quer ou vai querer. Nesse momento gosto de dar o meu exemplo: - Até os 20 anos só conhecia TI, trabalhava desde a montagem do computador até a criação de sites até que surgiu um oportunidade de mudar de cidade e conseqüentemente de vida, ir para Macaé a cidade do Petróleo, além de me adaptar ao ambiente tinha que conhecer a nova empresa que é a maior do pais. Tive que em pouco tempo entender os procedimento e os sistemas para só depois me sentir seguro em tomar decisões e planejar atividade, em meio a esse vendaval de informações eu começo a adquirir móveis para minha casa quando um colega de trabalho ouve uma conversa minha com um vendedor e me pergunta: -“ Para que você está comprando móveis?”, -“Essa nossa área não devemos “fincar” raiz, devemos estar preparados para mudanças pois hoje estamos aqui, amanhã podemos estar no sul e de pois no norte.”

Ele tinha total razão (apesar de eu não ter seguido os conselhos, rs) um gerente de projeto deve saber que seu projeto terá um tempo X para terminar. E depois ele estará no mercado novamente e se ele não se manter atualizado pode ter dificuldades no futuro. E a onda hoje (e porque não, moda) é o PMP®, há 10 anos atrás era re-engenharia, antes foi 5 ”S”, qualidade total, etc...etc.. Daqui 10 anos a onda pode passar, eu acredito, ainda, acredito pode ser antes do 5 anos.

Então para finalizar eu podemos concluir que o PMP® tem muito valor, principalmente nesses dias, o que devemos é não deixar banalizar tanto a certificação, quanto a categoria. Não devemos ser hipócritas e olhar só o nosso umbigo, existe um mundo lá fora globalizado e competitivo. Temos que estar preparados para as mudanças e estar atualizado. A metodologia tem seu valor e no mundo de hoje mais valor ainda, mas uma pessoa especializada no assunto sempre terá um peso importante dentro do gerenciamento de projetos.

Grande Abraço a todos!

Att,
Vítor Vargas, PMP®
www.vitorvargas.com

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