Sobre homens e deuses

Postado dia 21/12/2015
Notícias

Recebi esse texto da "Empiricus" no blog "Vida de Investidor". Achei muito interessante e compartilho com vocês.
O foco é o mecado de finanças porém, serve para nossas vidas, em especial, os gerentes, diretores, profissionais:

Em vez de bitolar em “parâmetros” financeiros, temos por hábito analisar características subjacentes aos casos de investimento. Preferimos proxies tangíveis a variáveis intangíveis.

Sob essa ótica, pode-se dizer que somos mais engenheiros que financistas.

Por quê?

Quem se pauta em lapsos de retorno e desvio-padrão de um papel confere sorte aos deuses. E os deuses devem estar loucos.

Quem olha para qualidade do produto/serviço, potencial da demanda, oferta escalável, barreiras à entrada, expertise do management, perfil do float (e outras coisas do tipo) confere mérito aos homens. Os homens podem estar loucos, mas nutrimos por eles uma confiança demasiado humana.

Até hoje, a despeito de milhares de PhDs em Finanças formados nas melhores academias globais, não temos a mínima ideia sobre como calcular risco ou incerteza.

Temos noção conceitual razoavelmente boa em relação ao que é risco ou o que é incerteza, mas não sabemos calculá-los. Esqueçam o VaR e as distribuições gaussianas, métodos que se provam nocivos diante do mais simples choque com a realidade.

Não podemos medir risco, mas - felizmente - conseguimos medir a resistência de certos materiais.

Sabemos, por exemplo, que deixar uma porcelana chinesa na quina da mesa de jantar é algo arriscado. Alguém vai passar ali, esbarrar e quebrar a peça preferida da sua mãe.

Porcelanas chinesas não gostam de quinas, não gostam de esbarrões, não gostam dos efeitos da gravidade.

Então, em vez de medir risco, podemos medir quão frágil é uma peça de porcelana. E medir se há crianças correndo pela casa, e quantos cotovelos têm essas crianças.

Percebem a diferença?

Certas condições que permeiam o risco são muito mais concretas do que o risco per se.

Como analistas de ações, temos sempre que pensar em Wittgenstein, nas qualidades críticas de um instrumento de medição. Caso contrário, podemos usar a régua para medir uma mesa e, ao mesmo tempo, estar usando a mesa para medir uma régua.

 

 

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