Utilizando a programação multicritério – AHP

Postado dia 21/12/2015
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rtigo Utilizando a programação multicritério – AHP – Por Ricardo Vargas

Quando possuímos mais de 100 projetos em carteira, usar o critério pairwise (comparação em pares) fica muito complicado. Mas de qualquer modo, deve também comparar os critérios de decisão e dar uma nota relativa pela importância que representa este fator em relação a outro. Só depois disso que pode dar notas para cada opção. Neste caso projetos em carteira. Ao ter vários critérios de avaliação teremos o mesmo problema que quando temos muitos opções. Existe infinita técnicas para essas análises como:

- VPL, TIR, BCR etc. que são tangíveis e mensuráveis em termos absolutos? Então não precisa usar pairwise para as opções. Basta pegar a informação de business
case de cada um. 

- Economia de custos, ganho de eficiência, etc. que são conversíveis em valores financeiros, também dispensam pairwise.

- Agora se o critério é intangível e entra a questão de valor não tem jeito, tem que ser pairwise ou grade e escala ordinal que são mais subjetivos.

É possível usar Expert Choice que é baseado na AHP. Este software, além de pairwise que se adapta muito bem para critérios intangíveis e relativos, permite entrar com parâmetros de ordem crescentes (Vendas ou lucros) e decrescentes (custos, despesas ou prejuízos), direto (atribuir um valor entre 0 a 1 para o critério de um projeto), escala de intensidade ou grade. 


Algumas vantagens do método AHP é usar escalas no nível de medição de taxa em que as seguintes características importantes são respeitadas.

- As notas atribuídas podem também ser usadas para indicar um ranking (por exemplo nota 0,2 é melhor que nota 0,1, que por sua vez é melhor que nota 0,0)

- As notas atribuídas guardam proporção entre si; dessa maneira, pode-se afirmar que um projeto que possui avaliação no quesito de risco igual 0,8 tem o
dobro de risco que um projeto que recebeu avaliação de risco 0,4 (diferente da situação quando, por exemplo, arbitra-se num sistema qualquer os números 1, 2 e
3 para medir o nível de risco) .

A avaliação dos projetos pelo método AHP precisa acontecer em três passos.

A) Em primeiro lugar é preciso atribuir pesos relativos aos objetivos estratégicos. Esses pesos devem ser derivados da percepção de comitê formal, e
proporcionais ao julgamento dos envolvidos;


O interessante do método AHP é que os pesos relativos dos objetivos estratégicos não são arbitrados apenas por um gestor ou pelo PMO, mas sim derivados
do julgamento de vários envolvidos. Para derivar os pesos, cada responsável é convidado a fazer uma comparação par a par de cada objetivo, dizendo o quanto
um objetivo é mais ou menos importante que cada um dos demais objetivos. Por meio dos cálculos de matrizes, esses inputs são sintetizados e transformam-se
em pesos para objetivo do mapa estratégico.

B) O segundo passo da avaliação é identificar quais objetivos estratégicos são afetados por cada projeto e atribuir uma taxa que mede a intensidade com a qual
aquele objetivo é afetado pelo projeto. O método AHP faz isso de uma maneira simples e científica, baseada também na percepção de valor relativo que os
executivos atribuem ao projeto em relação ao objetivo em questão.

C) Finalmente, faz -se síntese dos dados coletados nos passos A e B , na qual cada projeto recebe uma taxa geral de contribuição estratégica. Devido ao
robusto processo matemático do AHP, a taxa possui significado e proporção. Dessa maneira, pode-se afirmar que um projeto que recebeu uma taxa de
alinhamento de 0,4 possui o dobro de alinhamento estratégico que aquele que recebeu uma taxa de alinhamento de 0,2 (isso é feito por meio de cálculos de
matrizes);

A seleção do portfolio é o árduo trabalho de escolher o melhor conjunto de projetos para serem executados no período de vigência dos projetos em carteira.
É importante ressaltar que não é simplesmente escolher os projetos que estão com as melhores notas obtidas no processo anterior, mas sim escolher o melhor
conjunto que maximiza o alinhamento estratégico.


Um aspecto importante a ser levado em conta é que a organização deve ter capacidade para executar o portfolio selecionado dentro do período tanto em
termos de recursos humanos quanto recursos financeiros; na maioria das vezes, essas limitações irão ditar quantos projetos deverão ser selecionados para o
período.

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